Cerca de 1,3 milhões de portugueses frequentam bibliotecas, mas são sobretudo estudantes e têm entre 15 e 24 anos, segundo um estudo sobre «A Leitura em Portugal» que será apresentado hoje em Lisboa.
O estudo, que será apresentado na conferência Plano Nacional de Leitura (PNL), foi encomendado ao Observatório das Actividades Culturais, e revela os hábitos de leitura e o perfil dos leitores portugueses.
A investigação incidiu sobre um universo de 7,5 milhões de habitantes, residentes no continente, com 15 anos ou mais, que sabem ler e escrever, e do qual foi retirada uma amostra de 2.252 indivíduos.
Segundo o estudo, a esmagadora maioria dos portugueses, 6,2 milhões de habitantes, não vai a bibliotecas, tem mais de 35 anos e tem até ao segundo ciclo do ensino básico.
A justificação está no facto dos próprios leitores admitirem que não gostam de ir a bibliotecas (47,2 por cento), não precisam ou não têm tempo (15 por cento).
(Fonte: Diário Digital)
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segunda-feira, 19 de novembro de 2007
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
Não podemos deixar o mundo como o encontrámos III
A Colômbia, bem como os países participantes neste curso possuem democracias recentes, ainda com muitas debilidades, situações económicas precárias, desigualdades sociais enormes, taxas de analfabetismo elevadas, comunidades rurais e indígenas muito pobres e cidades superpovoadas onde a violência, a pobreza e o desemprego são uma constante. Dos países participantes Belize e Cuba são a excepção. O primeiro não tem os problemas sociais e económicos típicos da América Latina. O segundo vive há várias décadas sob um regime comunista.
Para além dos problemas já mencionados que afectam a América Latina, a Colômbia vive uma situação de conflito armado há mais de 40 anos acentuado pelo narcotráfico e pelos milhares de refugiados que fogem das zonas de conflito em direcção às cidades.
Nestes países as bibliotecas, especialmente as bibliotecas públicas, tem adoptado estratégias e criado serviços capazes de responder às necesidades destas populações pobres e analfabetas ou pouco instruídas.
Aqui em Medellín, cidade que durante muitos anos foi dominada pelo narcotráfico e pela violência gerada por esse mesmo narcotráfico, as bibliotecas públicas e os bibliotecários desempenham actualmente um papel fundamental na renovação e desenvolvimento da cidade.
Com este curso pude constatar no terreno o papel social que as bibliotecas públicas podem desempenhar no desenvolviemto local e na melhoria das condições de vida das populações.
A biblioteconomia que se pratica aqui não é uma biblioteconomia de gabinete. O compromisso social destes bibliotecários é uma realidade que se traduz em serviços e actividades dirigidas aos mais pobres, desfavorecidos e carentes de informação e conhecimento. E quando falo de pobres falo de gente miserável que vive em bairros de lata, de sem abrigos, de criancas de rua, de analfabetos, de toxicodependentes, de prostitutas, de reclusos. Enfim, falo de todos aqueles que nas nossas bibliotecas públicas não tem lugar nem encontram apoio ou resposta às suas necesidades de informação, apesar das ditas bibliotecas se denominarem públicas.
Com recursos materiais e humanos reduzidos e em condições sociais e políticas adversas muitas destas bibliotecas são hoje agentes de mudança. Mas ser agente de mudança implica abandonar a posição cómoda de neutralidade e imparcialidade que muitos de nós continuamos a manter em relação ao função social que a biblioteca pública deve ter. A maior parte de nós não está disposta, por diversos motivos (quase sempre os mesmos), a sair dos seus gabinetes, a correr riscos, a trabalhar em rede, a estabelecer alianças, a ouvir os não utilizadores, a ser agentes de mudança e actores políticos na construção de uma sociedade mais equitativa, esclarecida e democrática.
Volvidos 20 anos após o início da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas (RNBP) apenas 157 dos 308 munícipios de Portugal construiram uma biblioteca pública. Destas 157 bibliotecas públicas, supostamente modernas e inspiradas no «Manifesto da IFLA/UNESCO sobre Bibliotecas Públicas», muitas apresentam problemas preocupantes no que diz respeito à qualidade dos serviços prestados, à actualização dos fundos documentais, à quantidade e qualificação dos funcionários que aí trabalham, etc.
Portugal continua sendo um dos países mais pobres e atrasados da União Europeia e as bibliotecas públicas também são um indicador deste atraso.
Para além dos problemas já mencionados que afectam a América Latina, a Colômbia vive uma situação de conflito armado há mais de 40 anos acentuado pelo narcotráfico e pelos milhares de refugiados que fogem das zonas de conflito em direcção às cidades.
Nestes países as bibliotecas, especialmente as bibliotecas públicas, tem adoptado estratégias e criado serviços capazes de responder às necesidades destas populações pobres e analfabetas ou pouco instruídas.
Aqui em Medellín, cidade que durante muitos anos foi dominada pelo narcotráfico e pela violência gerada por esse mesmo narcotráfico, as bibliotecas públicas e os bibliotecários desempenham actualmente um papel fundamental na renovação e desenvolvimento da cidade.
Com este curso pude constatar no terreno o papel social que as bibliotecas públicas podem desempenhar no desenvolviemto local e na melhoria das condições de vida das populações.
A biblioteconomia que se pratica aqui não é uma biblioteconomia de gabinete. O compromisso social destes bibliotecários é uma realidade que se traduz em serviços e actividades dirigidas aos mais pobres, desfavorecidos e carentes de informação e conhecimento. E quando falo de pobres falo de gente miserável que vive em bairros de lata, de sem abrigos, de criancas de rua, de analfabetos, de toxicodependentes, de prostitutas, de reclusos. Enfim, falo de todos aqueles que nas nossas bibliotecas públicas não tem lugar nem encontram apoio ou resposta às suas necesidades de informação, apesar das ditas bibliotecas se denominarem públicas.
Com recursos materiais e humanos reduzidos e em condições sociais e políticas adversas muitas destas bibliotecas são hoje agentes de mudança. Mas ser agente de mudança implica abandonar a posição cómoda de neutralidade e imparcialidade que muitos de nós continuamos a manter em relação ao função social que a biblioteca pública deve ter. A maior parte de nós não está disposta, por diversos motivos (quase sempre os mesmos), a sair dos seus gabinetes, a correr riscos, a trabalhar em rede, a estabelecer alianças, a ouvir os não utilizadores, a ser agentes de mudança e actores políticos na construção de uma sociedade mais equitativa, esclarecida e democrática.
Volvidos 20 anos após o início da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas (RNBP) apenas 157 dos 308 munícipios de Portugal construiram uma biblioteca pública. Destas 157 bibliotecas públicas, supostamente modernas e inspiradas no «Manifesto da IFLA/UNESCO sobre Bibliotecas Públicas», muitas apresentam problemas preocupantes no que diz respeito à qualidade dos serviços prestados, à actualização dos fundos documentais, à quantidade e qualificação dos funcionários que aí trabalham, etc.
Portugal continua sendo um dos países mais pobres e atrasados da União Europeia e as bibliotecas públicas também são um indicador deste atraso.
quinta-feira, 8 de novembro de 2007
Não podemos deixar o mundo como o encontrámos II
Se a Biblioteca Pública é um instrumento de inclusão e de cidadania, isto é, de combate à exclusão, de apoio aos mais pobres e carentes de informação e conhecimento não lhe basta estar aí de portas abertas. Toda a biblioteca pública que se limita aos serviços de empréstimo domiciliário de documentos, de utilização de Internet e de animação da leitura como a Hora do Conto é uma biblioteca amputada, incompleta, empobrecida. Pelo menos assim pensam os nossos colegas colombianos.
Após 20 anos do início da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas as bibliotecas públicas portuguesas estão reduzidas a uma mera função cultural.
Quem se der ao trabalho de visitar algumas das nossas bibliotecas mais recentes encontrará belos edifícios, modernos e bem apetrechados. Todavia, a uma biblioteca não lhe basta um edifício moderno, dotado de excelente mobiliário e numerosos computadores.
A escolarização das bibliotecas, a obsessão pelo tratamento técnico (catalogação, classificação e indexação) e o excesso de actividades de extensão cultural (exposições, palestras, teatro, cinema, etc.) transformaram as bibliotecas públicas portuguesas em lugares apenas atractivos para uma minoria instruída e disponível para consumir bens culturais.
Onde estão as bibliotecas públicas nos bairros mais pobres de Lisboa, Loures, Sintra, Amadora, Almada, Porto, etc.? Quais são os servicos que as nossas bibliotecas públicas estão a oferecer a estas comunidades?
Após 20 anos do início da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas as bibliotecas públicas portuguesas estão reduzidas a uma mera função cultural.
Quem se der ao trabalho de visitar algumas das nossas bibliotecas mais recentes encontrará belos edifícios, modernos e bem apetrechados. Todavia, a uma biblioteca não lhe basta um edifício moderno, dotado de excelente mobiliário e numerosos computadores.
A escolarização das bibliotecas, a obsessão pelo tratamento técnico (catalogação, classificação e indexação) e o excesso de actividades de extensão cultural (exposições, palestras, teatro, cinema, etc.) transformaram as bibliotecas públicas portuguesas em lugares apenas atractivos para uma minoria instruída e disponível para consumir bens culturais.
Onde estão as bibliotecas públicas nos bairros mais pobres de Lisboa, Loures, Sintra, Amadora, Almada, Porto, etc.? Quais são os servicos que as nossas bibliotecas públicas estão a oferecer a estas comunidades?
quinta-feira, 1 de novembro de 2007
Nao podemos deixar o mundo como o encontrámos I
Porque os bibliotecários portugueses não fazem atendimento ao público?
Porque os emigrantes, os negros, os idosos, as donas de casa, os analfabetos, os pobres, os sem abrigo, os ciganos não frequentam as bibliotecas públicas portuguesas?
Porque os bibliotecários portugueses não se manifestam?
Porque não se faz investigação em biblioteconomia em Portugal?
Porque não existem serviços de informação à comunidade nas bibliotecas públicas portuguesas?
Porque são sempre os mesmos a participar nos encontros, colóquios, congressos, etc.?
Porque a Rede Nacional de Bibliotecas Públicas em Portugal não é uma rede?
Porque os emigrantes, os negros, os idosos, as donas de casa, os analfabetos, os pobres, os sem abrigo, os ciganos não frequentam as bibliotecas públicas portuguesas?
Porque os bibliotecários portugueses não se manifestam?
Porque não se faz investigação em biblioteconomia em Portugal?
Porque não existem serviços de informação à comunidade nas bibliotecas públicas portuguesas?
Porque são sempre os mesmos a participar nos encontros, colóquios, congressos, etc.?
Porque a Rede Nacional de Bibliotecas Públicas em Portugal não é uma rede?
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